Posts filed under 'Redescobrindo os sons'

5 anos redescobrindo os sons

Há 5 anos, 3 de setembro de 2003, comecei minha jornada rumo à redescoberta dos sons, depois de ficar 10 anos sem ouvir (dos 9 aos 19 anos).

Dos primeiros e confusos barulhos, ainda na unicamp, onde ativei o Implante Coclear, até os sons bem definidos de hoje, muitos foram os momentos de alegria perante um novo som, fosse ele algo aparentemente comum para as demais pessoas.

O primeiro som que ouvi naquele dia, já na rua, foi um ônibus passando. Um som confuso, que se foram somando a outros sons igualmente dificeis, algo normal em se tratando do fato de eu ter ficado tanto tempo sem esse sentido…

O primeiro som realmente nítido, que ouvi e identifiquei, foi nesse mesmo dia, o tec tec da seta de um Corolla que meus pais tinham. Era um tec tec tec bem ritmado, que se repetiu várias vezes.

E aos poucos os sons foram clareando, eram sons cotidianos, como passos, portas batendo, cachorros latindo, pássaros canoros, vozes, e aos poucos foram evoluindo, até chegar em um ponto que hoje não me vejo mais sem essa dádiva que é a audição, o mundo fica estranho quando está em um silêncio absoluto, perde as cores, perde a vivacidade, fica um ambiente apático, sem brilho. Já quando esse estranho silêncio é quebrado pelo fluxo continuo dessa doce melodia sonora.

5 anos de redescobertas dos sons… que venham muitos anos!

Add comment 3 03UTC Setembro 03UTC 2008

Mais sobre a isenção de IPI para surdos

 Nos últimos dias, circulou pelo FIC (Fórum de Implante Coclear, um grupo de e-mails focado no Implante Coclear), o link para uma petição onde os portadores de surdez poderiam reinvidicar a possibilidade de ter desconto de IPI na compra de um carro zero, como ocorre com deficientes físicos e mentais.

Esse é um tema que gera muitas polêmicas em listas de discussões e comunidades no orkut: Parte acha que não faz sentido a isenção, poís ela serve para cobrir custos com adaptações no carro, outros acham que não ter o desconto seria uma forma de isonomia, para citar uma reportagem da revista Reação, Todas pessoas devem ser tratadas como iguais. Se o surdo é uma pessoa com deficiência, ele tem tanto direito como as outras pessoas com deficiências contempladas com a isenção. Ou não?: (Perl, Carlos Roberto e Teixeira da Silva, Karina, in. Revista Reação.com, pg 86, edição desconhecida).

Um argumento muito utilizado, além do príncipio da igualdade citado acima, é que a pessoa surda pode não ter problemas locomotores ou intelectuais, mas possui dificuldades na comunicação, já que a maior parte da população não conhece a linguagem de sinais (LIBRAS), e isso dificultaria na hora de solicitar informações sobre como chegar a determinado destino. Bom, em parte esse argumento é verdadeiro, mas ele peca gravemente na generalização. O que dá a entender é que, com base nesse argumento, a isenção de IPI seria útil para aqueles que só conseguem se comunicar por meio de sinais,  mas e os surdos oralizados, como ficariam nessa história? Eu mesmo já me perdi no trânsito algumas vezes E não tive dificuldades em parar o carro e perguntar a alguém como se chegar em determinado lugar.  Sei que os surdos sinalizados teriam dificuldades, mas o foco aqui é o surdo oralizado: Se ele não tem dificuldades maiores de solicitar informações no caminho,  a receita entenderia que ele não necessitaria de desconto de IPI afim de facilitar na compra do GPS, um recurso que cada vez mais está sendo ítem de série ou opcional nos carros nacionais (vide Vectra GT, primeiro carro nacional com esse ítem de série). Ou seja: Adeus à Isonomia, poís a isenção de IPI, se fosse levado pelo argumento da comunicação, excluiria os que se comunicam bem, ou não?

Quando custa um GPS? Em rápida pesquisa no site das Lojas Americanas, o GPS mais barato custa R$ 599,00. Caro, mas esse GPS pode ser financiado em até 12x R$ 49,92 sem juros. Não teria um custo tão alto se comparando com adaptar um veículo, que muitas vezes implica mexer na estrutura do mesmo (Por exemplo, a Fiat tem ou tinha o Fiat Autonomy, neles a porta traseira convencionais dos carros tinham sua abertura modificada para facilitar que se guardasse cadeira de roda dentro do carro). Essas são modificações caras, que superam a barreira dos milhares de reais, e que oneraria muito o custo da compra do veículo. Já um GPS pode ser comprado a parte, com parcelas que chegam a menos de 50 reais,  não mexem na estrutura do veículo, e caso a pessoa troque de carro, pode facilmente transferir o equipamento de um veículo para outro sem custo adicional, o que não seria possível em um veículo com grandes modificações estruturais.

Quando comecei a ter aulas na auto-escola, tinha uma grande preocupação em perceber a hora certa de trocar a marcha do carro, pois até ouço o barulho do motor, mas é algo bem baixo, e quando está na hora de mexer na marcha, o motor muda o barulho. Mas, com o tempo, fui percebendo que não é só o barulho que muda, o carro fica mais pesado, a vibração dele muda, e também o painel avisa em modelos equipados com conta-giros. Quando o motor começa a solicitar uma nova marcha, é quando o conta-giro está chegando na faixa vermelha, e é também quando o carro nitidamente começa a perder força. Ai é só trocar a marcha.

Uma coisa que me incomoda até agora, e isso poderia ser abordado numa possível isenção, é que ainda não ouço ambulâncias nem viaturas policiais. É sábido que, quando  tem uma ambulância ou uma viatura policial com sirenes ligadas se aproximando, temos que ceder passagem. Nesse momento, não podemos olhar o retrovisor e pensar: Hum, está ligada ou não a sirene?, porque a situação exige agilidade combinada com segurança, e as vezes fica díficil enxergar de primeira se as luzes da sirene estão acesas. Nesse caso, poderia ter algum sistema semelhante ao sensor de estacionamento, mas que detectasse esses sons em específicos, e emitisse um alerta visual no painel ou no console do veículo. Não sei se existe tal recurso, mas como esse traria algumas modificações na configurações do veículo, poderia não ser tão barato e também respeitaria o príncipio da isonomia.

Pelos meus argumentos nos parágrafos acima, pode parecer que eu sou contra a isenção de IPI. Eu não sou contra a isenção em específico, mas acredito que caso ela venha a surgir, deveria ser melhor elaborada de forma a abranger as necessidades de todos surdos, sejam eles sinalizados ou oralizados, e não apenas uma parcela deles, como os argumentos que eu tenho visto parecem querer abordar.

2 comments 5 05UTC Julho 05UTC 2008

Impressões auditivas ao vivo – I

Essa é uma nova sessão do blog: Sempre que for possivel vir no laboratório de informatica da faculdade (como nesse momento, onde estou tendo aula vaga), ou em casa mesmo, irei prestar atenção no ambiente e analisar os sons que ouço, os sons que consigo identificar, os sons que não consigo… E irei postar em tempo real.

O laboratório é exclusivo para alunos dos cursos de Comunicação (Publicidade, Jornalismo, Relações Publicas), e tem 9 salas. Estou em uma dessas salas, e aqui tem 20 pessoas.

Começando a analise auditiva….

Está com bastante barulho aqui, bastante sons de vozes misturadas, e alguns perceptiveis teclars misturados. Agora entrou uma pessoa, geralmente consigo ouvir os passos, mas todo o som se mistura. O ritmo das vozes misturadas é gostoso, uma melodia sem ritmo mas suave ao ouvido.

Também ouço barulhos de cadeiras se movendo, do meu lado tem uma garota da classe mexendo na cadeira, e eu consegui ter uma pequena percepção. Mas não são sons claros, são sons misturados mas que não são tão misturados quando no começo do IC, onde era muito dificil discriminar um som do outro nesse monte de barulhos. Hoje não, consigo perceber que tem várias vozes, os teclars dos computadores (principalmente do que eu estou usando), cadeiras se arrastando… E geralmente também tem o barulho do ar condicionado  que se mistura ao restante dos sons, mas hoje está gelado lá fora, e por isso o ar está desligado…

A doce melodia dos sons… Muitas pessoas não conseguem se concentrar em ambientes ruidosos, mas para mim é muito gostoso isso, consigo me concentrar ouvindo cada melodia, ritmada ou não, consigo me concentrar nessas melodias… e cada vez mais adoro o melodiar da faculdade.

 Termino aqui a primeira parte da série Impressões Auditivas ao vivo, sendo que ainda hoje pode ter uma segunda parte

Add comment 25 25UTC Setembro 25UTC 2007

Como se comunicar com uma pessoa que não ouve.

À procura de pautas para o blog, achei um texto que falava sobre como se comunicar com uma pessoa que não ouve. Sendo surdo, achei que seria interessante postar e comentar isso, se concordo ou não, e colocando alguns complementos.

1- Quando falar para uma pessoa com deficiência auditiva, não necessita aumentar muito o tom de voz. O importante é falar claramente, movimentando bem a boca para possibilitar a leitura labial. No entanto, fale em velocidade normal, não necessitando silabar as palavras.

Correto, é importante falar numa velocidade normal, na velocidade em que se conversa com todo mundo. É irritante o sílabar das palavras, e se estiver falando muito rápido com certeza ele avisará.

2. As pessoas com este tipo de deficiência utilizam não apenas a leitura labial, mas também a leitura da fala, ou seja, todas as expressões faciais e todos os gestos auxiliam na comunicação. Assim, mantenha o contacto ocular com a pessoa e, sempre que possível, ilustre o que diz com gestos.

Verdade. Gestos com as mãos, gestos corporais, expressões fisionômicas, tudo isso complementa a leitura labial. E é sempre importante manter contato visual.

3. Para possibilitar a leitura labial e da fala, mantenha-se sempre de frente para a pessoa e evite comer ou fumar enquanto fala.

Até pode comer e fumar, mas com moderação, nada de falar enquanto mastiga, por exemplo. Mas já vi pessoas que, enquanto comiam algo, falavam com gestos, como mexendo a cabeça, mexendo os olhos, isso ajuda bastante.

4. Se a pessoa parecer não conseguir compreender o que lhe está a dizer, escreva o que lhe pretende comunicar.

Prefiro que a pessoa repita, seja 2, 3, 4, 7 vezes (embora seja raríssimo ter que repetir 7 vezes algo que foi falado, entendo na segunda ou terceira repetição já), mas se a pessoa não estiver com paciência ou for algo urgente, que não dê para ficar repetindo, um papel e uma caneta são bem vindos.

5. Se precisar chamar-lhe a atenção para lhe dizer algo, toque-lhe levemente no braço.

Correto, mas alguns viajam tanto nos pensamentos que um toque pode até assustar. Então toque de uma forma que seja visto da onde vem o toque.
 

6. Por vezes, as pessoas com deficiência auditiva também têm dificuldades em falar. Assim, se não conseguir compreender o que a pessoa está a dizer, não hesite em pedir para repetir. Se continuar a não compreender, peça para escrever. O importante é haver comunicação.

Correto: Não entendeu? Peça para repetir. Se ainda não entender, peça para escrever. Uma coisa que acho importante mencionar nesse item é que nem eu e, possivelmente nenhum outro surdo, fica irritado por ter que repetir algo. Isso é algo que me perguntaram no começo do ano na faculdade, se eu me irritava por ter que repetir algo que falei. Não, não me irrito, podem pedir para repetir a vontade e, se depois de algumas tentativas, não der certo, caneta e papel são bem vindos.

7. Se um surdo estiver acompanhado de um intérprete de Língua Gestual, fale directamente ao surdo, não ao intérprete.

Bom, não faço uso de linguagens de sinais nem intérpretes, mas imagino que seja chato isso mesmo, é como se o surdo fosse um telespectador da conversa alheia. As vezes uma pessoa, se eu nao entendo algo, já se dirige a um amigo, não gosto disso, se possível tente repetir até eu não entender, caso contrário duas alternativas: Ai sim falar para meu amigo e ele repetir (mas geralmente eu que peço para ele repetir para mim), ou caneta e papel à mão.

Esses eram os itens que estavam na lista, mas resolvi acrescentar mais alguns:

8- Evite falar de frente à uma janela.

Isso gera um efeito de eclipse no rosto da pessoa e a leitura labial fica impossibilitada.

9- Não force a voz desnecessariamente.

Se está com a voz ruim, pode simplesmente falar como se estivesse sussurrando, que entenderei. E nada de gritar como se fosse entender melhor. Procure manter um tom normal, não só a velocidade especificada no item 1.

10- Abaixo o preconceito: Surdo sabe usar telefone.

Isso aconteceu em Maio no orkut, uma pessoa da faculdade criou uma conta fake para me denegrir, e uma das coisas que ela colocou foi: “Tem um celular apesar de ter ouvidinho danificado e não ouvir…. (sic)”

Uma visão preconceituosa essa, não é porque sou surdo que não vou poder usar um celular. Existem celulares que contam com suporte a TTD (um serviço telefônico que digita na tela o que é falado, meu finado celular tinha isso), hoje todos celulares contam com sistema de SMS (envio de mensagens instantâneas), para quem usa implante coclear, como eu, existe um recurso muito legal nos celulares, o viva-voz (que em alguns é possivel ajustar o volume, como no meu celular atual), com o viva-voz ativado fica bem fácil ouvir e perceber o que é falado. E soube ha alguns anos de um celular chamado Rybenah, algo assim, um celular voltado para surdos. Por isso nada de fazer que nem na comunidade do Aprendiz 4 – O sócio, que ficaram zoando um cara no programa que queria lançar um celular para surdos.

E soube, atráves de uma prima, que nos EUA é muito comum um celular que funciona como webcam, facilitando a leitura labial, esse seria interessante no Brasil.

Bom, termino por aqui esse post.

8 comments 25 25UTC Agosto 25UTC 2007

Tirando as teias do blog… definitivamente!

Depois de muito tempo sem blogar sobre Implante Coclear, estou retornando, espero que dessa vez definitivamente…  Eis uma breve apresentação da pessoa que escreve esse relato:
 
Bom, me chamo Rodrigo, moro em Campinas – São Paulo, fiz o IC há quase 4 anos na Unicamp, sendo que perdi a audição totalmente aos 9 anos (hoje tenho 23), as causas exatas dessa perda auditiva repentina não é conhecida ainda, mas a minha cóclea não está inteiramente formada (displasia de mondini)… Entre 1993 e 2000 eu fiquei usando aparelhos auditivos convencionais, que iam perdendo seus efeitos ao longo do tempo, e em 2000 eu resolvi parar de usar porque não estava tendo um grande aproveitamento e conseguia me virar na base de leitura labial, além de conseguir falar normalmente (a não ser quando fico ansioso e começo a falar muito rápido).
No final de 2002, ia fazer um IC no ouvido esquerdo, mas havia um nervo muscular obstruindo o caminho para a cóclea e acharam melhor parar e tentar uma outra vez, no ouvido direito. Isso foi 8 meses depois, e dessa vez bem sucedido. O meu aparelho é da marca Sprint, e está ativado desde o dia 04 de setembro de 2003. Desde então o ganho auditivo tem sido excelente, superando minha expectativa. No começo chegava a narrar minhas descobertas auditivas num blog, mas acabei deixando ele de lado temporariamente, estou pensando em reativa-lo.
Hoje, 3 anos depois, já estou bem aconstumado com o mundo sonoro, tanto que fica estranho quando estou sem aparelho ou a bateria acaba repentinamente… as vezes, na faculdade, se a pilha acaba e eu esqueci a extra (acontece muito ) eu saio da sala de aula, atravesso o campus e vou numa papelaria só para comprar pilhas, porque até fica mais dificil a leitura labial sem o acompanhamento auditivo, meu cérebro já começa a fazer essas associações som-fala. Falando nisso, ultimamente nem tenho usado mais o recurso SMS do celular, se eu saio mais cedo da faculdade (ou fico até mais tarde), eu simplesmente ligo, e um recurso que eu tenho usado e que facilita bastante é coloca-lo no viva-voz e posicionar o celular normalmente, os sons chegam bem melhor, além de conseguir sentir a vibração no fone, e cada som tem uma vibração diferente, o “tum tum” é diferente do “alô” na vibração… fiz esse teste ontem, ia ligar e a bateria do aparelho acabara, resolvi experimentar sem ouvir mesmo e conseguia perceber se tinham atendido ou ainda estavam chamando pelas vibrações.
Quando dirijo, gosto de abrir o vidro e sentir o som do vento batendo e os sons do transito, é uma sensação muito boa, de estar integrado ao mundo ruidoso do transito… Quando o vidro esta fechado fica um silencio que chega a me incomodar, as vezes ligo o rádio apenas para ter algum som…
Falei tanto dessa integração ao mundo sonoro que quase esqueço de falar que o IC tem uma grande vantagem que é de, se estamos num lugar ruidoso demais, ou não estamos mesmo a fim de ficar ouvindo alguma coisa, basta desligar o aparelho… acho bacana isso, sempre faço quando vou num lugar muito barulhento, com muita musica misturada, que não dá para entender nada, desligo e fico sentindo as vibrações.
Falei mais acima que estou na faculdade, na época em que eu participava do FIC eu ainda não estava, então vou falar dela… Em 2003 e 2004 eu prestei vestibular para Direito pela Puc Campinas, cheguei a passar na lista de espera, mas ai eu percebi que Direito não era bem o curso que eu queria… então resolvi tirar 2005 para decidir o curso que eu queria, e nesse meio tempo comecei a fazer curso técnico de informatica, já concluido. Enquanto isso pensava no que cursar, pesquisava os cursos, cheguei a fazer um teste de orientação vocacional que deu como resultado alguns cursos da área de humanas (jornalismo, publicidade…)
No final de 2005, começo de 2006, estava num almoço com a família, e a noiva de um primo cursa publicidade, e ela estava falando do curso, eu prestando atenção, e em dado momento deu um “click” na mente: Era esse o curso!
Então no ano passado comecei a estudar com afinco, e por conta própria, em casa e pegando simulados na internet, alem de ler bastante… estudava umas 3 ou 4 horas por dia, ainda fazia o curso técnico, e no final do ano prestei vestibular para Publicidade pela Puc Campinas, com matutino na primeira opção e noturno na segunda.
No dia 17 de dezembro, as 17:00, saiu a lista de aprovados do vestibular… estava um pouco preocupado em ver se eu passara ou não, então coloquei isso no MSN:
 
“JÁ SAIU A LISTA DE APROVADOS, ESTOU ANSIOSO SE VEJO OU NÃO”
 
algo assim… alguns minutos depois, uma janela se abriu no msn:
 
“VOCÊ PASSOU RODRIGO!!!!!!!!!”
 
fiquei sem acreditar um pouco (e entendi uma prima que achara que eu estava brincando quando falei para ela que ela passara para a segunda fase da unicamp, nessa época mesmo), mas ai fui ver o resultado e lá estava meu nome, tinha conseguido finalmente entrar na universidade, no curso de primeira opção (Publicidade Matutino). Foi muito legal essa conquista, mas a ficha de que eu entrara na faculdade só caiu no segundo dia de trotes na pucc, em fevereiro… o pessoal estava fazendo trotes na praça de alimentação e ai eu percebi que estava na universidade.
Estou adorando esse curso, muito puxado, com trabalhos atrás de outros, mas está muito divertido, as matérias são legais (no primeiro semestre estou tendo Estética e Publicidade Teorica, Estética e Publicidade Prática, Criação, Teoria da comunicação, Introdução ao Marketing, Psicologia aplicada e Sociologia), os professores tambem são legais (alias, teve um que no primeiro dia comunicou á classe que eu usava IC, tinha que ler os lábios e por isso que o pessoal procurassem falar de frente comigo. achei legal isso, ainda mais porque eu nem falara para ele que eu tinha que ler os labios, mas é que eu já tinha entrado em contato com o Proacess, um serviço na pucc para pessoas portadoras de algumas deficiencias, seja fisica, auditiva ou mental). O pessoal da minha turma também é muito legal, muito divertido e cada dia tem uma loucura maior que a outra. As vezes tiro fotos na pucc com o pessoal, é muito legal.
Não tenho tido grandes dificuldades em acompanhar as aulas, a maioria dos professores se esforçam para que eu consiga entender, se eu não entendo pergunto a algum aluno (alias, um deles se candidatou como monitor para me ajudar se eu tivesse duvidas). claro que as vezes não entendo, e as vezes um professor ou outro cisma em fazer um ditado (como ontem na aula de marketing, o professor queria ditar as perguntas), mas com uma boa comunicação consigo resolver isso. 
Que bíblia isso, quantas palavras será que já escrevi nessa mensagem?
Bom, vou ficando por aqui então, bom final de semana a todos

3 comments 29 29UTC Abril 29UTC 2007

Implante Coclear vale a pena?

Nesse post há o seguinte comentário, feito por Memorex:

 Rodrigo, vou ser honesta. Estou totalmente á nora com o implante coclear, na verdade a inquientação molesta a minha paz de espírito de avançar ou não.

Se valerá a pena? Será que você inicialmente tinha medo de a operação não exceder ás suas expectativas?

Pode falar cmg por e-mail? Adoraria muito, gostava de falar com surdos implantados antes de avançar-me com toda a segurança no mundo.

Um beijo!

 Para responder, resolvi criar esse post, ainda mais porque percebi que faz tempo que não escrevo sobre Implante Coclear ou surdez no blog.

Memorex, entendo seus medos e inseguranças em relação ao IC, também passei por isso…  No começo eu procurei não criar muitas expectativas justamente por ficar preocupado se ia ou não excede-las.  Mas superou bastante todas as expectativas que eu tinha. Ao contrário do que algumas mídias propagam, o IC não “cura” a audição assim que o colocamos (soube que falaram isso num conhecido programa dominical) mas hoje é como se a audição fosse normal…. nem se compara ao uso dos AASI, que perto dos IC são muitos fracos, somente servindo para amplificar os sons. mas mesmo não “curando” (e coloco entre aspas porque o IC não cura, apenas ajuda bastante) a audição de imediato, os avanços auditivos são notaveis a longo prazo… Ainda hoje, 3 anos e meio depois de fazer o IC, ainda tenho tido bons avanços auditivos, e nem sei mais como eu aguentava ficar sem ouvir as coisas… se eu tiro o IC é como se o mundo perdesse um pouco de sua cor, de sua vida. Para comparar, geralmente eu dirijo meu carro com os vidros fechados, e é um silencio total. Esses dias experimentei abrir os vidros e achei bem melhor dirigir ouvindo os barulhos do transito, o vento batendo, parecia que as ruas tinham ganhado mais vida… é algo assim que ocorre com o IC.

Convém lembrar que, para chegar nesse ponto, temos que treinar muito a audição, treinar procurando fontes sonoras, observando sons pertos, ouvindo musicas, procurar a origem do som e tentar identifica-lo… mas são treinos muitos prazerosos.

Para resumir, vale sim muito a pena fazer o IC, avance sim :)

(adicionei-a no msn)

4 comments 4 04UTC Fevereiro 04UTC 2007

Dias desses perguntaram no MSN:

“… se é pior ser surdo de nascença ou perder a audição depois?”.

Achei essa pergunta bem inédita, nunca tinha visto alguém formulando essa pergunta. E resolvi reproduzi-la aqui, para saber quais seriam suas respostas a essa pergunta? Depois posto no comentário o que eu acho

E aproveitando que esse é o ultimo post do ano, feliz 2007 a todos! 

2 comments 31 31UTC Dezembro 31UTC 2006

Breve história da minha surdez

Quando criança, a minha perda auditiva era de leve a moderada, ou seja: Eu até ouvia bem, apenas algum sons tinha mais dificuldades de entender. Por causa disso, nunca tive problemas na minha infância. Cheguei a usar um arcaico aparelho auditivo por um tempo, se nao me engano entre os 5 aos 7 anos. Era um aparelho pesado, que se assemelhava a um cd player, com 2 fones de ouvido que terminava em uma pesada caixa. Se não me engano ainda tenho esse aparelho guardado em algum lugar, se eu achar posto fotos. Como era muito desconfortável e até desnecessário, acabei deixando de lado esse aparelho. Na verdade nem lembrava as vezes que eu não ouvia direito. Isso possibilitou que eu estudasse em uma escola normal e tivesse excelentes notas.
Isso mudou numa noite de setembro de 1993…

(mais…)

6 comments 28 28UTC Dezembro 28UTC 2006

Cidade para surdos

Os Estados Unidos podem ter a primeira “cidade para surdos” do mundo, revela nesta segunda-feira uma reportagem no New York Times. O deficiente auditivo Marvin Miller já conseguiu apoio de cerca de 100 famílias para fundar um vilarejo no Estado da Dakota do Sul que terá a linguagem dos sinais como principal idioma.

Sou surdo, mas nunca moraria numa cidade dessa, onde as pessoas só se comunicam por sinais, afastados da civlização! Acho que essas leis são muito discriminatórias, disfarçadas com boas intençôes! É querer afastar os deficientes das pessoas consideradas “perfeitas” (como se houvesse uma pessoa perfeita)!

2 comments 21 21UTC Março 21UTC 2005


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